1. Um breve histórico da evolução da contabilidade
A doutrina e os historiadores que acompanham a criação e a evolução das profissões relatam que a Contabilidade, como instrumento de controle e base para a gestão patrimonial, deu seus primeiros passos de forma empírica há milhares de anos. Sendo o sentimento de posse e propriedade inerente ao ser humano, a história da contabilidade é tão antiga quanto à própria história da humanidade. O nascimento da contabilidade(1) é o da inscrição de elementos da riqueza patrimonial, passando aos poucos a registros mais elaborados. Com a invenção da escrita, desenvolveu-se ainda mais o sistema de registros, mas segundo estudiosos sobre a questão, foi à escrita contábil que deu origem a escrita comum e não o inverso. O desenvolvimento contábil, como já pode ser visto, acompanha de perto o desenvolvimento econômico, e assim ao longo da história a contabilidade vem se evoluindo.
A evolução e o desennvolvimento econômico das civilizações passaram dos métodos primitivos aos sofisticados processos industiais e da prestação de serviços, provocando também uma ascensão da contabilidade, que ocupou maior espaço e importância, devido ao surgimento das grandes empresas comerciais e industriais.
Das formas primitivas utilizadas para quantificar o patrimônio, percorrendo o caminho do método por partidas dobradas na época do comércio medieval, os sistemas de custos na Revolução Industrial e a criação da Contabilidade Gerencial após o surgimento das sociedades por ações, verifica-se que a contabilidade sempre procurou adaptar-se às mudanças ao longo da história da humanidade, para que pudesse cumprir seu papel de fomentadora de informações sobre o patrimônio de seus usuários. As mudanças nos mercados e nas exigências legais sobretudo do fisco sempre foram uma constante. Ainda assim, continua a indissociável necessidade da contabilidade como fonte e geradora de informações para a segura gestão dos negócios. Diante dessa realidade, e com as constantes transformações dos mercados, a Profissão Contábil como partícipe dessa evolução, tornou-se uma das principais aliadas do processo de desenvolvimento econômico-financeiro das organizações, que passaram a dispor do contabilista, profissional com formação técnico-científica, como um dos mais importantes atores nesse contexto.
2. Mudanças, nos novos cenários e novas perspectivas para a profissão contábil
Embora do ponto de vista técnico e científico continuem preservados os pilares básicos das ciências contábeis, modernamente o modus operandi da contabilidade está extremamente sofisticado. Esse novo caráter de intelectualidade e constante evolução e sofisticação por que passa a contabilidade, alcança a informatização, a agilização na geração e transmissão de dados e informações aos seus usuários, bem como, a integração e equalização dessas informações entre mercados globalizados através da padronização internacional das informações contábeis. Os procedimentos contábeis foram criados e estão em constante evolução com o intuito de gerar informações confiáveis e pertinentes aos fatos patrimoniais, de interesse dos seus usuários, neles incluídos o fisco como um dos principais agentes que busca a integridade dos registros, editando normas na com foco formalização dos registros com o intuito de fiscalizar melhor as entidades.
Diante desses novos cenários, a profissão contábil por meio das suas entidades, instituições de ensino e, sobretudo dentre os seus profissionais, busca adequar-se às novas exigências legais e gerenciais. As organizações que se utilizam dos Serviços contábeis precisam também avançar nessa nova realidade, quebrando os paradigmas outrora vividos, de que a contabilidade é utilizada somente para fins de atender o fisco. Essa visão já está ficando arcaica, considerando que os atuais recursos tecnológicos utilizados pelo fisco facilmente supre a exigência dos cálculos e acompanhamento do recolhimento dos tributos. A busca pela competitividade e o acirramento da concorrência em todos os níveis de mercado local e globalizado, faz com que as organizações passem a se utilizar de forma mais presente e tempestiva das informações contábeis com vistas a redução de custos, avaliação adequada do patrimônio, apuração e análise dos resultados, dos investimentos, acompanhamento sistemático das suas margens de lucros, dentre outras informações cruciais à sobrevivência do negócio.
O Brasil está passando por grandes transformações, as empresas brasileiras e os profissionais a elas vinculados, sobretudo os contadores, advogados, executivos e profissionais afins, convivem no dia a dia num ambiente de mudanças constantes, não só na economia, no mercado globalizado, mas principalmente com alterações e inovações na legislação e nas decisões dos tribunais, que afetam diretamente o meio corporativo dos negócios. Estamos vivendo em épocas de constantes mudanças, em que se tem uma digitalização crescente da informação e a evolução dramática da Tecnologia para lidar com a informação digitalizada.
O uso da Tecnologia para integração e compartilhamento de informações objetivando a racionalização e modernização da administração, tem impacto direto nos processos internos das organizações, com implicações óbvias na contabilidade. Os profissionais da contabilidade precisam participar ativamente desse momento de modo a interagir e acompanhar essa evolução, sob pena de ser naturalmente excluído ou ter dificuldade de adaptação posterior. Só conseguimos reduzir impactos, antecipando cenários e provocando as soluções. Só antecipamos cenários participando ativamente das discussões dos processos e das inovações.
A evolução tecnológica impacta cada vez mais os aspectos econômicos, sociais e culturais da nossa civilização. Exige-se cada vez mais competência técnica e capacidade de análise e de decisão. Esse ambiente constitui um excelente momento para a profissão contábil, que naturalmente se encaminhará para a esfera da gestão. O contabilista passará de outrora profissional quantitativo, agregando ao seu trabalho a análise e a gestão da informação produzida pela contabilidade e áreas afins das organizações.
A profissão do terceiro milênio, é como se refere o Prof. José Carlos Marion(2) em palestra. Para ele, são excelentes as perspectivas para a profissão contábil, considerando que “a Sociedade concentra sua atenção no novo recurso – a informação, e a Contabilidade, por excelência, é a ciência da informação”.
O Brasil antes e depois do SPED
O projeto do Sistema Público de Escrituração Digital, aparentemente uma metodologia de emissão eletrônica de notas fiscais, escrituração contábil, fiscal e de geração e transmissão de outras informações afins, no meu entendimento constitui uma autêntica motivadora de mudança de cultura das nossas organizações, com reflexo também imediato na cultura dos cidadãos brasileiros. Estamos diante de uma revolução silenciosa com fortes implicações para a administração das nossas empresas, da gestão do fisco, passando por diversas profissões, sobretudo nas áreas contábil e jurídica, mormente o direito tributário.
Vislumbramos dias inteiramente diferentes para os contabilistas, que se soubermos atuar e participar efetivamente como atores no processo das mudanças e inovações, certamente serão beneficiados. Com a ampliação do SPED para as empresas, teremos a total substituição dos livros contábeis e fiscais em papel para o meio digital. Não precisamos mais escriturar ou imprimir Livro Diário e seus auxiliares, se houver; Livro Razão e seus auxiliares, se houver; Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos; Registro de Entradas de Mercadorias; Registro de Saídas de Mercadorias; Registro de Apuração ICMS; Registro de Apuração do IPI e Registro de Inventário.
Com os softwares e a Tecnologia ao nosso favor, gerar e cumprir as obrigações do SPED deixou de ser um obstáculo. Do ponto de vista fiscal, tanto as organizações quanto os contabilistas, precisamos nos preocupar daqui em diante é em relação a qualidade da informação que as empresas estão transmitindo ao Fisco. Por outro lado, observemos agora o que o fisco vai fazer com essas informações que as empresas estão enviando.
As empresas e os profissionais da contabilidade precisam ficar mais atentos na geração de informações corretas, de modo a evitar eventuais equívocos entre a movimentação fiscal e os registros contábeis, diferenças entre valores calculados e recolhidos dos tributos, cruzamentos de informações e outras questões similares. Com o SPED amplamente utilizado num futuro próximo, e com os novos sistemas de controles fiscais, o Brasil terá um dos menores índices de sonegação comparado ao dos países desenvolvidos. As organizações e os profissionais precisam se preparar apara o que chamo de “Pós SPED”, quando a grande maioria estará com suas economias devidamente formalizadas, concorrendo de igual para igual, sem a concorrência desleal entre quem sonega e quem paga todos os tributos. A pergunta é: Sua organização, sua empresa contábil, você, seus colaboradores, clientes, estão preparados para a era do “Pós SPED”?
2.1 Mudanças e Novos Cenários: desafios e oportunidades
As inovações tecnológicas e as implementações por parte do fisco de novas metodologias no acompanhamento dos contribuintes por meio do SPED , notadamente das pessoas jurídicas, aliadas às modificações da Lei das Sociedades por Ações e complementadas pelas exigências da harmonização das informações contábeis aos padrões internacionais, tem provocado uma verdadeira revolução na contabilidade brasileira. Essa nova realidade nos faz prevê novos cenários, novos desafios e renovadas perspectivas para os contabilistas brasileiros. Para a implementação da Convergência da Contabilidade Brasileira aos Padrões Internacionais, o Conselho Federal de Contabilidade instituiu o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, cujo objetivo em linhas gerais, é promover o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais.
O CPC representa perspectiva de importantes avanços no caminho da atualização e da modernização de normas e preceitos contábeis. É resultado da abertura da Economia brasileira para o exterior, incluindo títulos negociados nas bolsas de maior movimento do mundo e busca a harmonização das normas e práticas contábeis entre as diversas economias do mundo de modo na facilitar troca de informações. Esse comitê é composto de entidades representativas de segmentos importantes e indispensáveis ao bom funcionamento do mercado e das organizações e à Produção das informações contábeis confiáveis de uso geral. São elas(3): CFC - Conselho Federal de Contabilidade; IBRACON - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil; FIPECAFI - Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras; BM&FBOVESPA - Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros; APIMEC - Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais; ABRASCA - Associação Brasileira das Companhias Abertas.
Em meio a todas essas mudanças, o contador continua com uma vasta área e modalidade de atuação profissional. Entendo que, com as inovações e a informatização plena na geração e transmissão dos dados e informações contábeis, esse profissional ganhará em qualidade técnica e ocupará novos espaços nas organizações, no mercado autônomo e de forma independente como empresário do segmento. Com os ajustes adequados nas grades curriculares dos Cursos de Ciências Contábeis de modo a atender a essa nova tendência, o contador se tornará um consultor na gestão das organizações, com uma extraordinária vantagem em relação aos demais consultores, em decorrência do conhecimento quantitativo que possui na interpretação das informações contábeis, da auditoria, da perícia, dentre outros.
Atuação do Contador pode ser catalogada em quatro grupos. São eles(4): Contador Empregado - Planejamento Tributário, Analista Financeiro, Contador Geral, Auditor Interno, Contador de Custos, Contador Gerencial e Cargos Administrativos; Contador Empresário ou Independente - Auditor Independente, Consultor, Empresário Contábil e Perito Contábil; Contador no Ensino – Professor, Pesquisador, Escritor, Parecerista e Conferencista; Contador nos Órgãos Públicos - Contador Público, Auditor Fiscal e Tribunais de Contas.
A Tecnologia em alta, os novos requesitos e as novas oportunidades
Esse novos tempos não dispensam os conhecimentos básicos convencionais que hoje tem o profissional contábil, o que se pode observar é um acréscimo de requisitos adicionais, a exemplo da necessidades de conhecimentos de planejamento estratégico, tributário, aprofundamento no conhecimento de Tecnologia da informação, formação de preços, orçamentos, contabilidade gerencial e contabilidade internacional.
O setor contábil vive hoje a era digital e os que não se adaptarem a esse novo cenário serão terão dificuldade em evoluir, podendo mesmo comprometer a sua atuação profissional. A profissão contábil, pela natureza dessa evolução, passa por essa adaptação aos tempos modernos e, com isso, ela resgata e conquista o seu maior valor agregado, que é o intelectual. A Tendência é que o contabilista terá de aplicar a sua intelectualidade, o seu conhecimento, ter o seu pensamento estratégico a serviço das organizações, exigindo um grande esforço de todos os profissionais, das instituições de ensino e das entidades representativas para se adequar aos novos tempos. A pergunta que exige uma profunnda reflexão é: Os Cursos de Ciências Contábeis e os de Especialização na área, estão conseguindo fornecer conteúdo para reciclar o profissional de contabilidade?
Os Serviços de contabilidade nas organizações empresariais estão aquecidos e há uma crescente Demanda por esse trabalho. Está havendo uma conscientização dos empresários, que precisam modificar a cultura, tanto do ponto de vista das relações com o fisco, quanto no âmbito da profissionalização da gestão, e aí se faz presente a necessidade de uma assessoria e consultoria contábil de qualidade. A implementação do SPED gera uma grande folga para os contabilistas, que poderão ocupar seu tempo com atividades mais nobres nas organizações. As empresas contábeis de maior porte ou mesmo os médios escritórios que dispõem de equipe melhor qualificada para esse novo momento consolidam a sua participação nesse novo mercado e oferecem para as empresas profissionais da sua equipe para assessorar as empresas na gestão e no cotidiano da companhia.
Em decorrência da geração e da transmissão on line das informações contábeis e fiscais promovidas pelo SPED, é recomendável que sejam feitas Auditoria digitais prévias, de modo a antecipar as análises que o fisco fará ao avaliar as escriturações digitais contábeis e fiscais. Isso está obrigando a implementação de mudanças no perfil do profissional da contabilidade, forçando as empresas contábeis a investir sobremaneira na reciclagem e qualificação técnica da equipe. Hoje a profissão contábil, exige estudo constante para a atualização com relação a essa nova dinâmica, novas normas e exigências.
Algumas empresas contábeis estão mudança a sua estratégia e se especializando em determinados segmentos. Isto facilita e assegura uma melhor qualidade no trabalho oferecido. Ao se especializar na área, pode-se dominar melhor as regras aplicadas a esse segmento com mais profundidade, possibilitando uma assessoria melhor na gestão dessas empresas. Com o SPED e a tempestividade na geração e na transmissão das informações, os profissionais da contabilidade ganharam em performance e passaram a ter ainda mais responsabilidades sobre as informações geradas pelas organizações e transmitidas ao fisco, deixando de ser um m erro apêndice, passando a atuar diretamente na gestão da companhia.
Nesse cenário de mudanças e de quebra de paradigmas certamente trarão de imediato algumas dificuldades para as pequenas e médias empresas. Esses pequenos negócios não tem a cultura da informatização plena, e normalmente também não dispõe de recursos disponíveis para Investimentos em equipamentos e softwares. Por via das consequências, gera uma procura de soluções alternativas, o que constitui uma oportunidade para as empresas contábeis e Data Center com estruturas já adequadas.
Muitos profissionais ainda não perceberam a urgência reclamadas pela dinâmica das mudanças. São surpreendidos pela constatação de suas limitações no convívio com essas novas tecnologias e no desempenho de seu papel, deixando transparecer que são carentes de novas competências que ultrapassem seu domínio profissional atual. O Contador hoje precisa conscientizar-se e se preparar adequadamente para a sua participação na tomada de decisões nas organizações, visando identificar e corrigir as dificuldades e adversidades que surgem ao longo do caminho, baseadas nas informações geradas pela Contabilidade. Em síntese, o mercado globalizado atual requer modernidade, criatividade, novas tecnologias, novas competências, novos conhecimentos, mudanças urgentes e novas adequações na visão do contador.
O perfil do novo contador diante dos novos cenários
Apresentamos a seguir uma adaptação do artigo da professora Márcia Covaciuc Kounrouzan(5) sobre o Perfil do Profissional Contábil, que se confirma o que estamos destacando sobre a nova realidade da profissão contábil no Brasil.
Uma pesquisa promovida pelo AICPA - The American Institute of Certified Public Accountants, que no meu entendimento, aplica-se perfeitamente ao que estamos vivenciando no Brasil e para os próximos anos, sobretudo por estarmos inseridos no mercado global. A pesquisa retrata a estrutura para criar habilidades técnicas, que permitirão o fortalecimento e melhor capacitação da profissão contábil:
a) definição das competências necessárias para exercer a profissão;
b) melhorar as práticas de ensino;
c) meios para avaliar continuamente os currículos de ensino. As competências necessárias para o profissional contábil do futuro estão subdivididas em competências funcionais, amplo entendimento de negócios e competências pessoais.
No segmento da contabilidade gerencial, destacamos a seguir outra pesquisa que igualmente se adéqua às nossas necessidades, feita no mercado americano pelo IMA - Institute of Management Accountants, que é a organização principal do mundo dedicada à capacitação de contabilidade gerencial e finanças profissionais para impulsionar o desempenho do negócio.
Entrevistas com 300 contadores gerenciais, além de entrevistas com cinco empresas consideradas “de ponta”. As principais mudanças divulgadas pelo estudo do IMA, são:
a) Aumento do valor do contador gerencial, que são vistos como parceiros de negócios.
b) Aumento de comunicação com não contadores. Atualmente os contadores gerenciais despendem mais tempo comunicando-se com pessoas de suas empresas;
c) Melhorias nas decisões negociais. Nas empresas onde os contadores gerenciais operam como parceiros de negócios, há exemplos que evidenciam que as melhores decisões de negócios são feitas;
d) Mudança da localização de trabalho. Os contadores tradicionalmente trabalham nos departamentos de contabilidade, distantes dos departamentos operacionais de suas empresas. Muitos contadores gerenciais presentemente estão trabalhando fora da contabilidade, dentro dos departamentos operacionais para os quais prestam serviços;
e) Participação do time de liderança. A maioria dos contadores gerenciais trabalha em times multifuncionais, ocupando mais posições de liderança;
f) Mudanças nas atividades de trabalho. Trabalhos de consultoria interna, planejamento estratégico de longo prazo, análises de processos objetivando melhorias e reduções de custo, análises de tomadas de decisões, análise de performance financeira e econômica e outras atividades não tradicionais para contadores estão aumentando muito. Enquanto isso a maioria gasta muito menos tempo em atividades tradicionais de contadores, tais como orçamentos, relatórios, consolidações, políticas contábeis, contabilidade de custo, aderência a normas fiscais, contabilidade de projetos etc. A automação está liberando tempo para atividades mais nobres para os contadores gerenciais;
g) Capacidade requerida para o sucesso. Para os contadores gerenciais, entretanto, na profissão, as capacidades requeridas mais importantes são: habilidade de comunicar-se bem, oralmente e por escrito, habilidade de trabalhar em equipes de trabalho, capacidade de análise detalhada, sólidos conhecimentos de contabilidade e entendimento de negócios. Além de aprenderem a detectar problemas, eles precisam aprender a apresentar soluções para os problemas identificados.
Observando mais de perto e focando na nossa realidade, no Brasil a profissão contábil tem todas as condições para um crescimento elevado e sustentado, considerando que a possibilidade de melhoria nesse campo, é ampla, principalmente em função da preocupação e de trabalhos desenvolvidos pelas entidades de classe brasileira, tendo a frente o Conselho Federal de Contabilidade. O profissional contábil entra numa nova fase, mais atualizada, mais dinâmica, mais inovadora e mais exigente. Cabe aos geradores e aos seus usuários a maximização da Utilidade da informação contábil. Passamos da fase em que a contabilidade nos apresentava apenas um retrato histórico da situação passada da entidade, para um novo momento em que além dos importantes dados históricos, projetarmos o futuro das organizações.
Nessa nova vertente, a educação, como principal agente propulsor das mudanças da sociedade, é a chave para valorização profissional e deve ser vista como um processo inserido no contexto das relações e interesses entre as instituições, estudante e organizações usuárias das informações. A Instituição de ensino mais do que nunca, deve atuar como responsável pela definição dos novos currículos de modo a atender às novas exigências, devendo imprimir políticas claras e conscientes diante das novas realidades da Sociedade em que está inserida, formando profissionais necessários e de efetiva Utilidade para atuar neste contexto. O estudante ou contabilista deverá ter consciência de sua responsabilidade no processo de aprendizado, dispondo-se a participar como protagonista, na execução de tarefas, estudos, pesquisas e mudanças de comportamento, visando o aprimoramento técnico e intelectual para enfrentar de forma proativa essa nova realidade.
Segundo as conclusões da pesquisa, com as quais concordamos integralmente, o contabilista deve ter Competências e Habilidades: entende-se por competências o conhecimento técnico e por habilidades, a capacidade de transmissão e análise do conteúdo técnico.
As competências para o desempenho da profissão contábil: competências gerais, comerciais, organizacionais e técnicas:
a) Competências gerais - envolvem conhecer e entender as correntes econômicas, políticas, sociais e culturais de uma forma global;
b) Competências comerciais - referem-se ao conhecimento do segmento de mercado em que esteja atuando;
c) Competências organizacionais - conhecimento do processo operacional da organização em sua área de atuação, através do conhecimento e interação entre o mercado e o grupo organizacional;
d) Competências técnicas - conhecimento das normas e princípios contábeis, ser capaz de desenvolver, analisar e implantar sistemas de informações contábeis e de controle gerencial.
As habilidades necessárias são: habilidades de comunicação, habilidades intelectuais e habilidades interpessoais;
a) Habilidades de comunicação - representam a capacidade de transmitir e receber informações com facilidade. É a defesa de seu ponto de vista, formal e informal, verbal ou escrita de modo a posicionar-se de forma segura e persuasiva perante qualquer pessoa de posição hierárquica, superior ou inferior. O profissional contábil deve ser capaz de escutar atentamente e entender pontos de vistas opostos;
b) Habilidades intelectuais - capacidade de utilizar-se de criatividade para solução de problemas, capacidade de julgamento, discernir prioridades e saber trabalhar sob pressão;
c) Habilidades interpessoais - correspondem a habilidade em trabalhar com pessoas, saber influenciá-las, organizar e delegar tarefas, motivar e desenvolver pessoas e resolver conflitos.
Ética: O profissional da área contábil deve exercer com ética as atribuições e prerrogativas que lhes são prescritas.
Por fim, com a Tecnologia em alta, os novos requesitos e as novas oportunidades nesses novos tempos, não podemos deixar que as mudanças nos imponham decisões contrárias as novas vontades, em prejuízo do tempo perdido. Devemos sim, nos antecipar e sermos proativos, agindo como atores principais nesse novo cenário, fazendo com que a profissão contábil seja reposicionada em um patamar mais expressivo na nossa sociedade.
Esse novos tempos não dispensam os conhecimentos básicos convencionais que hoje tem o profissional contábil, o que se pode observar é um acréscimo de requisitos adicionais, a exemplo da necessidades de conhecimentos de planejamento estratégico, tributário, aprofundamento no conhecimento de Tecnologia da informação, formação de preços, orçamentos, contabilidade gerencial e contabilidade internacional.
E como destaca o professor, Antônio Lopes de Sá, sobre as novas visões na profissão contábil, cada vez mais competitivo, o mundo dos negócios exige que os empresários estejam bem orientados. A função do profissional da Contabilidade é, pois, a de consultor sobre assuntos da riqueza das empresas. Um consultor deve ter cultura científica, tecnológica, ética e geral, mas, precisa do apoio de instituições específicas que zelem por tudo isto, pela imagem da classe, pela valorização constante do conhecimento. O valor de uma classe depende do valor dos elementos que a constituem.
REFERRÊNCIAS
(1) SÁ, Antonio Lopes de. Teoria da Contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
(2) Marion
(3) Fontes: CPC
(4) Marion
(5) O Perfil do Profissional Contábil, por, Márcia Covaciuc Kounrouzan, Bacharel em Ciências Contábeis pela FECAP - Fundação Alvares Penteado e mestre na área de Contabilidade Estratégica e Controladoria pela FECAP - Fundação Alvares Penteado. Atua como professora nas Faculdades Oswaldo Cruz e na UNIP - Universidade Paulista. Consultora pela Plenty Controladoria. No seu artigo indica como BIBLIOGRAFIA: SILVA, Tania Moura. Currículo Flexível: Evolução e Competência. Artigo publicado na Revista Brasileira de Contabilidade do CFC, edição Ano XXIX – No. 121 – Janeiro/Fevereiro 2000 – páginas 23 a 27. IUDÍCIBUS, Sérgio de e MARTINS, Eliseu. Contabilidade:uma visão crítica e o caminho para o futuro. São Paulo: CRCSP, 1990. NOSSA, Valcemiro. A necessidade de Professores Qualificados e Atualizados para o Ensino da Contabilidade. Artigo publicado na Revista de Contabilidade do CRC-SP, edição Ano III – No. 9 – Setembro de 1999 – páginas 18 a 23.
Autor: José Carlos Fortes
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